sábado, 6 de julho de 2013

Branca de Neve - Coluna Já era uma Vez




Já Era Uma Vez - Branca de Neve
Coluna semanal da Liga dos Autores Free
Escrita por Ales de Lara
Ilustrada por Atlan Coelho

Branca de neve
Branca de neve sem dúvida é uma mulher amaldiçoada. Não por uma bruxa, mas por seu destino. Nascera já sob o manto do azar. Órfã de mãe, mais tarde órfã de pai, com uma madrasta odiosa, uma vida cruel e suja cercada de desgraças e traições. Uma história contada completamente dissimulada do verdadeiro acontecimento, pois tamanha é a crueldade dessa história. Uma mulher nascida para sofrer. Nascida predestinada a morrer e ressurgir. A morte seria sua salvação. Mas assim como no mundo real, no mundo da fantasia não existem finais felizes. O “felizes para sempre” é uma forma de enganar as fracas almas do mundo real. Mas vamos começar pelo começo.
Era uma vez uma linda mulher afortunada. Rica, casada com um bom homem, com uma bela casa e com um neném em seu ventre. Como todos os casais antigos, ansiavam pela chegada de um menino. Viviam felizes, perto da floresta, cercados de pássaros e belos animais. Os meses passaram e o inverno chegou cobrindo os campos de uma grossa camada de neve. Finalmente, para alegria da família, chegara a hora do bebê nascer. Mas algo deu errado. O momento abençoado se tornou um momento de dor e pavor. A mãe gritava desesperadamente enquanto seu ventre jorrava sangue por todo o quarto. Parteiras e empregados corriam de um lado a outro com baldes de água quente e panos empapados de sangue. Assim que o neném finalmente nascerá, após horas de um suplicio doloroso, a jovem mãe dera seu último suspiro e morrera sem nem ver a criança. O choro do neném se tornou insuportável aos ouvidos do pai, que olhava perplexo a amada morta na cama, conservada para sempre na mais tenra idade. Como se isso não bastasse, a parteira anunciava em voz alta que o bebê desafortunado era uma menina. Uma menina – pensou o homem, enquanto observava a neve que caia ao lado de fora da janela. Assim como a neve mata as plantas que cobre ao cair, aquele neném havia matado sua mãe ao nascer. Se chamaria então Branca de Neve, para que ele nunca se esquecesse que algo tão belo poderia ser também algo mortal. Assim começa a vida de uma criança cujo o destino não poderia ser mais cruel.
O tempo foi passando. O gelo derreterá e congelara muitas vezes depois disso. A menina foi crescendo, com o pai sempre ausente, atormentado pelas lembranças de seu nascimento. Como uma medida desesperada o homem casou-se de novo, sem amor, apenas para que a criança tivesse alguém que cuidasse dela como ele nunca faria. Como tal casamento não era sincero, a nova mulher vivia em tristeza e arrependimento. Se via na obrigação de criar uma criança que não era sua e sabia que jamais teria seu próprio filho, pois seu homem não a desejava como mulher. Vivendo amargurada e cheia de rancor passou a desprezar fortemente a menina. Logo o destino se encarregou de tornar a história mais trágica e o homem morreu ao despencar de um abismo com sua carruagem. A quem diga que foram os cavalos que escorregaram na lama molhada da pós-neve. A quem diga que foi o mal em pessoa que empurrou a carruagem abismo abaixo. O fato é que naquela grande casa sobraram apenas os criados, a madrasta e Branca de neve.
Mais tempo se passou e Branca de Neve se tornou uma bela donzela, de seios fartos e boca carnuda. Ela era muito cortejada e admirada, galanteada por todos do reino. Os homens brigavam só pela ideia de tê-la. Enquanto isso a madrasta continuava viúva, sem pretendentes, sem cortejos, alimentado o rancor, o ódio e principalmente sua inveja de Branca de Neve. Decidiu que merecia uma nova chance de ser feliz, que merecia começar de novo. Decidiu mata-la. Contratou o bárbaro mais cruel daquelas terras e pediu para que lhe arrancasse o coração ainda viva, como uma forma de fazê-la entender como ela mesma se sentia. O bárbaro foi então ao encontro de Branca de Neve que se encontrava admirando as belezas de seu jardim em uma tarde de primavera. Mas a bela garota era tão linda que seria um desperdício mata-la sem concedê-la o direito do prazer carnal primeiro. Tentado por seu belo corpo, o bárbaro não quis mata-la de imediato e arrastou-a pelo cabelo para dentro da floresta. Desejava seu corpo, sentia seu membro atiçar a cada grito e gemido de pavor da pobre garota. Ardia em desejo. Lançou-a sobre as raízes de uma grande árvore e abaixou suas calças para que pudesse usufruir daquele corpo jovem, limpo, macio. Um pequeno lampejo de sorte pairou sobre Branca de Neve e dois lobos famintos correram na direção dela e do bárbaro. Porem, mesmo de saias, Branca de Neve foi capas de correr mais rápido que o bárbaro de calças arriadas. E o bárbaro se tornou um belo banquete para os lobos. Cheio de carne, após pega-lo eles esqueceram completamente dela. Branca aproveitou para correr o mais rápido que pode, mas não percebeu que ia cada vez mais em direção ao centro da floresta. Quando parou de correr estava completamente perdida. Desmaiou de cansaço sobre as folhas da floresta e lá adormeceu. Despertou ao sentir o sol quente queimando lhe o rosto. Abriu os olhos e viu sete homens em sua volta. Eram homens muito menores que os homens normais, com os dentes completamente podres (os que ainda tinham dentes) e cobertos por uma grossa camada de terra. Branca pensou em correr, mas percebeu que suas mãos e pés estavam amarrados. Os anões a olhavam e riam, alguns babavam sobre ela. Um deles disse –finalmente alguém para cuidar de nós. Sabe, anões não são muito populares e não estão acostumados a galantear e ser galanteados. Anões que trabalham em minas, sem cuidados ou higiene, sujos de terra, muito menos. –Será nossa esposa- disse um deles e todos riram enquanto a puxavam para dentro de uma enorme caverna.
Aqueles anões eram mais sedentos por prazer carnal do que o bárbaro. Nenhum deles nunca havia experimentado o corpo de uma mulher e eles mal podiam esperar para começar. Um por um, ele rasgaram suas vestes, a molestaram e violentaram repedidas vezes. Sua inocência e sua pureza foram arrancadas dela com tamanha voracidade que seu corpo sangrou e ardeu por dias. Foi obrigada a cozinhar, a limpar a caverna e servi-los sexualmente por muito tempo. Sempre que saiam para trabalhar trancavam-na lá dentro com uma enorme pedra. Todos os seus esforços de empurrar tal pedra eram em vão. Por mais que ela tentasse a pedra parecia não se mover nem um único centímetro. No começo, quando era violentada, gritava tão forte que achava que seus pulmões iriam explodir. Mas com o tempo, vendo serem inúteis seus esforços para alguém ouvi-la, acabou por desistir e se trancou em mundo imaginário dentro de sua cabeça. Passou a ser violentada na mais completa imobilidade, mantinha sua alma longe daqueles atos cruéis. Branca não sabia, mas havia mais alguém que morava na floresta. Uma velha bruxa ouvira os gritos de pavor e angústia que branca soltava durante tais atos e resolveu ajuda-la. Passou meses preparando uma poção para mata-la. Afinal, a morte não poderia ser pior que aquilo. Com o silêncio dos meses seguintes a bruxa teve ainda mais certeza que a pobre garota iria preferir a morte. A poção finalmente ficou pronta e a bruxa colocou a mais bela maça, que encontrou na floresta, dentro dela. Esperou até que a maça absorvesse todo o veneno de sua poção e o caldeirão se secasse. Então foi até a porta da caverna e esperou camuflada entre as árvores. Quando os anões saíram no dia seguinte para ir para a mina, a bruxa arremessou a maça para dentro da caverna, antes que eles a selassem com a pedra. E esperou até que os anões já não pudessem mais ser vistos. Se aproximou da porta e chamou pela moça que lá vivia. Branca escutou o chamado, se aproximou da porta de pedra e respondeu muito baixo, pois já não havia forças e voz dentro dela. A bruxa explicou que envenenara a maça e que se ela quisesse poderia escapar de tudo isso. Explicou que escutava branca sendo maltratada e que não poderia suportar tais atos contra uma mulher. Disse também que a maça continha um veneno, mas que tal veneno tinha um ponto fraco. Disse que sua morte não seria verdadeira, que o veneno era apenas paralisante e que ela ficaria engasgada com a maça, porem se alguém tirasse o pedaço de maça de sua boca, voltaria a respirar e estaria viva de novo. Pediu para que se ela comece a maça não contasse a ninguém sobre a falha no feitiço.
Branca de neve não pensou duas vezes e deu a maior mordida que podia na maça. Caiu dura no chão quase que instantaneamente. Quando os anões chegaram ficaram muito decepcionados com aquela cena. Acharam que depois de um longo dia de trabalho se deliciariam naquele corpo macio e quente. Mas aquele corpo não parecia mais macio, muito menos quente. Decidiram então enterra-la, antes que começasse a feder. Um dos anões disse  Já está muito escuro e estou muito cansado para cavar. Vamos leva-la para longe e deixa-la para os lobos-. Os demais consentiram e todos se mobilizaram pra arrasta-la para o mais longe possível de sua caverna. Lá a deixaram. Mais uma vez Branca teve um pequeno lampejo de sorte e nenhum lobo apareceu naquela noite (se tivessem aparecido ela teria sido devorada viva, apesar da aparência moribunda). No dia seguinte um pobre camponês achou a menina “morta” na beira da floresta. Existe algo de errado nos homens do mundo da fantasia, pois alguns deles parecem ter certa queda pela necrofilia. O camponês abaixou-se e beijou branca semimorta no chão. Com a língua, completamente sem querer, arrancou de dentro da boca de branca o pedaço de maça engasgado. No mesmo segundo ela voltou à vida. O camponês constrangido do que fez, convidou branca para morar com ele e se tornar sua esposa. Branca de Neve nunca poderia voltar para sua casa, pois sua madrasta tentaria mata-la novamente. Branca não podia nem lembrar o que aconteceu na caverna sem sentir seus pelos arrepiarem de pavor. Decidiu então que seu futuro nunca poderia ser mais cruel que seu passado e aceitou a oferta do camponês. E eles viveram felizes para sempre (ou quase isso).

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